Crônica da Atualidade - Por Leila Cordeiro
O Tempo de Qualidade
Não é o tempo que nos falta. Nunca foi. O que nos falta, muitas vezes, é coragem para dizer não ao que não importa e sim ao que nos alimenta por dentro. O relógio marca as mesmas vinte e quatro horas para todos nós, mas a diferença está em como escolhemos preenchê-las.
Aprendemos desde cedo a correr contra o tempo: trabalhar, produzir, cumprir metas, entregar resultados. E nessa pressa esquecemos que não é a quantidade de horas que dá sentido à vida, mas a densidade dos instantes que decidimos guardar. Um café tomado às pressas é apenas um café. Mas um café partilhado com alguém querido, acompanhado de um riso ou de uma confidência, pode se transformar em memória eterna.
O tempo de qualidade é uma arte silenciosa, uma espécie de alquimia que transforma minutos em tesouros. É quando desligamos o celular para ouvir de verdade quem está diante de nós. É quando optamos por caminhar devagar em vez de acelerar o passo. É quando escolhemos estar inteiros em um abraço, em vez de apenas cumprimentar.
A vida, no fim das contas, não é feita de anos, mas de momentos. De todos os instantes que nos roubaram um sorriso, uma lágrima de emoção, uma sensação de pertencimento. O tempo de qualidade não se mede pelo relógio, mas pela marca invisível que deixa dentro da gente.
Talvez o maior segredo seja esse: não precisamos de mais horas, precisamos de mais presença. Porque a presença, sim, alonga o tempo. Faz da eternidade algo possível num simples pôr do sol, numa música que desperta lembranças, numa conversa que não queremos que termine.
E, depois de tudo, no fim das contas quando olharmos para trás, não será o cansaço dos dias corridos que lembrará nossa história, mas sim a delicadeza dos instantes que tivemos o privilégio de viver plenamente.
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© Leila Cordeiro – Todos os direitos reservados)
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