Crônica da Atualidade - Por Cristina Serra
"Clara Pandolfo, uma cientista da Amazônia", de Murilo Fiuza de Melo, faz justiça à história e à contribuição científica de uma mulher extraordinária. A paraense Clara estudou química aos 17 anos, em Belém, quando as mulheres não tinham nem o direito de votar. Foi uma pioneira de diversas maneiras. Defendeu a ideia de manejo sustentável de produtos da floresta amazônica como forma de preservar o bioma e, ao mesmo tempo, proporcionar trabalho e renda para a população local, décadas antes de essas ideias se popularizarem. Trabalhou na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia ( Sudam), onde, durante o regime militar, se opôs aos projetos de ocupação da Amazônia, movidos a incentivos fiscais e conduzidos pela pata do boi. Clara alertou sobre a tragédia que se anunciava com a destruição da floresta, a invasão de territórios indígenas, pobreza e degradação. Ela propôs a criação de reservas florestais e o monitoramento da região por satélite. Clara foi cientista, escreveu e publicou seus estudos, deu aulas, criou três filhos. O autor é neto de Clara e escreveu um livro à altura da biografada, uma mulher notável que desafiou o sei tempo numa época em que o destino das mulheres era ser "do lar". E ela ainda tocava piano! Clara Pandolfo morreu em 2009, aos 97 anos. O livro resgata seu legado, com uma edição caprichada, fotos e um projeto gráfico lindo. Você pode baixar o livro gratuitamente no site: https://clarapandolfo.online Também no site tem o audiolivro e o minidoc sobre Clara Pandolfo. Recomendo!
Texto: Cristina Serra, jornalista paraense



Post a Comment