Fotografia de Belém ganha o mundo mostrando o povo amazônico

 Fotografia contemporânea tem sido cada vez mais direta e abordado populações historicamente excluídas

Divulgação / Nay Jinknss
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fotografia é uma das artes que se transformou em sinônimo do Estado do Pará. A capital paraense tem se transformado em um celeiro que exporta para o mundo o melhor da fotografia brasileira. Gerações de fotógrafos tem mostrado a região amazônica e o seu povo sob diferentes aspectos e técnicas. Desde referências como Miguel Chikaoka, o fotojornalista Paulo Santos até a disruptiva Nay Jinknss, a fotografia continua viva e pulsante nos 408 anos de Belém.

O artista, professor-pesquisador e curador Orlando Maneschy explica que a fotografia paraense se caracteriza por ser livre, distante dos modismos. “O olhar do artista conduz a partir da sua experiência no mundo, o fotógrafo ou fotógrafa paraense, no geral, não está muito interessado com modismos, como em alguns outros lugares ou tendências. Ele está preocupado com a sua forma de perceber a realidade, e como devolver isso para o mundo”, destaca. Desde o início dos anos 80 com a reabertura política no pós-Ditadura Militar, o Estado do Pará vem se destacando com vários profissionais.

A criação da Fotoativa no final dos anos 70 e início dos 80 foi um dos momentos que influenciaram toda a geração de fotógrafos daquele período. Um dos fundadores da Associação Fotoativa Miguel Chikaoka enxerga a fotografia em Belém como algo pulsante. “O que me move é o fluxo no aspecto das diferenças. É isso o que me deixa feliz, o quanto existem nas novas gerações, essas abordagens mais abertas, mesmo falando de coisas regionais, de uma certa Amazônia a partir da ótica de cada um. Tem aspecto documental, aspecto plástico, puro de imagem, ou mais relacionado com a questão social, política, cultural”, lista. “Existe uma marca, umas nuances, algo que pulsa desta região, que se oferece para nós”, completa.

O fotojornalista Paulo Santos, que já cobriu a Amazônia para vári veículos internacionalmente reconhecidos, reforça a característica questionadora da fotografia feita em Belém. “Sabidamente a fotografia paraense é uma das mais respeitadas no país, incluindo Belém. É uma fotografia atuante, inovadora, questionadora, muitos respeitada, não só no Brasil, mas no exterior também”, assegura.

O fotojornalista Paulo Santos, que já cobriu a Amazônia para vários veículos internacionalmente reconhecidos, reforça a característica questionadora da fotografia feita em Belém. “Sabidamente a fotografia paraense é uma das mais respeitadas no país, incluindo Belém. É uma fotografia atuante, inovadora, questionadora, muitos respeitada, não só no Brasil, mas no exterior também”, assegura.

Praça da República pela lente de Paulo Santos.Praça da República pela lente de Paulo Santos. (Divulgação / Paulo Santos/ Acervo H/ Panamazônica)

Ele enxerga a capital paraense como uma espécie de porta de entrada da Amazônia. “Aqui [Belém] eu comecei a ter os primeiros contatos com as populações ribeirinhas. Com os conflitos, com a mineração, com os grandes projetos, tudo começa por Belém, que eu vejo mesmo como uma entrada para a Amazônia”, diz. “Belém é inspiradora pela cultura, pela memória, pelo povo, pela história, pelos rios, pela água. Belém realmente é uma cidade inspiradora. Pela religiosidade. Por todos os temas que conseguiu somar nesta região”, complementa.

Referência na nova geração de fotógrafos paraenses Nay Jinknss tem ocupado cada vez mais espaço para refletir sobre o protagonismo de populações que sempre foram excluídas como os negros, mulheres, as populações periféricas e LGBTQIA+. Ela que é formada em artes, fotógrafa, pesquisadora e professora, enfatiza a necessidade dos profissionais da imagem romperem com certas barreiras do passado como o distanciamento das pessoas que eram fotografadas.

“Os artistas que estão em diálogo com os próprios protagonistas das suas histórias. A gente quer comunicar sobre transsexual, os PCDS que foram colocadas como exóticas e reproduzidas assim lá no passado. Isso não representa essas pessoas, como você se sentiria com a foto da tua avó sendo exposta como algo ruim em um Museu? Isso não representa aquela pessoa. A gente tem que ouvir e rever os métodos todo o tempo. Os artistas que estou tentando produzir e conhecer estão fora do circuito, e estão falando de outros lugares”, declarou.

Orlando Maneschy concorda e percebe que a crítica social é mais direta nos trabalhos atuais. “Hoje na arte que é feita no Brasil, a questão de pertencimento, da crítica social, das populações quilombolas, das mulheres, indígenas e LGBTQIA+ são fundamentais, porque vivemos grandes momentos de violência. São questões que se impõem para além da questão estética, da foto harmoniosa, são coisas que antes estavam no pano de fundo da imagem, hoje tem obras impactantes. Vivemos um tempo em que a mensagem é mais direta”, assegura.


Fonte: O Liberal 

Texto: Vito Gemaque



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