Nando Reis e Ana Vilela cantam em homenagem aos profissionais de saúde



Desde o começo da pandemia de covid-19, médicos, enfermeiros, auxiliares, fisioterapeutas e outros profissionais que trabalham em hospitais e centros de saúde têm sido - justamente - homenageados pelo esforço em salvar as vidas daqueles que são infectados pela doença. Algumas dessas deferências vieram em forma de aplausos coletivos, mensagens de pacientes e familiares, projeções em prédios, entrega de flores. Outras, vieram em forma de música.

A mais nova delas é Laços, que junta pela primeira vez o cantor e compositor Nando Reis com a cantora Ana Vilela, uma das revelações da nova geração. A letra fala em Quem cuida com carinho de outra pessoa/ Se importa com alguém que nem conheceria/ Quem abre o coração e ama de verdade/ Se doa simplesmente por humanidade numa clara referência à missão que cabe aos trabalhadores da saúde.

A composição é assinada por Gabriel Moura, coautor de hits como Mina do Condomínio e Burguesinha - sucessos na voz de Seu Jorge - que a fez após uma mensagem que recebeu do produtor Afonso Carvalho, da Musickeria, há cerca de um mês, explicando a campanha.

"Foi instantâneo pensar na letra da canção e na melodia. Baixou como um download. É o tipo da coisa que podemos chamar de inspiração: uma hora e 40 minutos depois (da mensagem), eu mandei para ele a canção pronta e gravada em voz e violão", conta Moura.

O autor conta que pensou no dia a dia dos hospitais desde que a pandemia começou - cenas que ficaram marcadas tanto por revelarem o sofrimento e a gravidade da doença quanto pela felicidade dos curados.

"Uma série de imagens passaram pela minha cabeça: as pessoas saindo de internações e sendo aplaudidas pelos profissionais da saúde, imagens que eu assisti na internet de completa exaustão desses profissionais encarando o front da guerra contra o vírus, muitas vezes em condições insalubres, em hospitais públicos pelo Brasil sem a estrutura adequada", diz.

Outros artistas já haviam homenageado os trabalhadores da saúde anteriormente. Aqui no Brasil, o grupo Detonautas lançou o clipe de Fica Bem, que contou com a participação de policiais, bombeiros, enfermeiros, médicos e outros profissionais que não puderam parar de sair às ruas para exercer sua profissão. O cantor Alex Fava dedicou o clipe Sem Você, que fala sobre perda, a luta dos médicos em salvar vidas. O historiador Leandro Karnal participa da homenagem.

Nando Reis diz que a categoria é merecedora de todas as homenagens e da admiração da sociedade. "Fico lisonjeado por ter sido convidado para dar voz a um sentimento que se não é coletivo é pelo menos das pessoas sensíveis. Eles trabalharam incessantemente e merecem ser saudados", diz o cantor ao Estado.

"Não custa lembrar que essa pandemia foi minimizada, camuflada e desdenhada irresponsavelmente pelo presidente (Jair Bolsonaro). Então, homenagear esses profissionais é justamente dar voz à sensatez, à saúde, à saúde mental e, humildemente, agradecer aqueles que sofreram e se arriscaram nessa situação difícil", completa.

Reis é consciente do papel que os artistas têm durante a pandemia em levar conteúdo para as redes, com lives e conteúdos, em um momento em que as pessoas estão inseguras com a mudança repentina da rotina e com o medo da doença.

"Essa pandemia caiu de forma dramática nas nossas vidas. O lugar da arte é entrar na vida das pessoas em momentos em que todas as inquietações ficam mobilizadas, quando você percebe que não há respostas. A arte, então, é o veículo condutor da ressignificação perpétua", diz.

A cantora Ana Vilela, autora da canção Trem Bala, que virou uma espécie de hino de motivação, diz que os profissionais de saúde são "heróis desse momento tão difícil" e espera que a gravação chegue como uma forma carinhosa para eles.

"Quero que eles recebam essa música como o abraço que a gente não pode dar em cada um. Essas pessoas arriscam suas vidas, ficam longe das famílias, viram noites salvando outras vidas e acho muito necessário que a gente reconheça e agradeça a cada um deles por essa entrega", diz.

Edição: Alek Brandão
Fonte: O Liberal (Texto); Diário Carioca (Foto).

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