Exposição reúne múltiplos olhares sobre Belém em celebração aos 410 anos da capital
Público pode visitar o espaço a partir do dia 9 de janeiro, às 10h, com entrada gratuita

Paisagens, memórias e cenas do cotidiano da capital paraense compõem a exposição “Uma Belém no Olhar de Alguém”, que entra em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, localizado no bairro da Campina, em Belém, a partir desta quinta-feira (9), das 10h às 19h, integrando as comemorações pelos 410 anos da cidade, celebrados no próximo dia 12 de janeiro. A visitação segue até o dia 8 de abril, com entrada gratuita. O espaço funciona de terça a sexta-feira, no horário informado, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
Com curadoria do artista visual Emanuel Franco, a mostra reúne 35 fotografias assinadas por 21 fotógrafos paraenses, em uma homenagem visual à cidade a partir de diferentes perspectivas. As imagens apresentam registros que transitam por uma Belém diversa, destacando o cotidiano urbano, o patrimônio histórico, a relação da cidade com a água, os mercados populares e a população.
Segundo Emanuel Franco, o convite para assinar a curadoria partiu do Banco da Amazônia, por meio do Centro Cultural, com a proposta de desenvolver uma exposição alusiva ao aniversário da cidade. Ele explica, de forma indireta, que optou pelo recorte da fotografia por entender que a produção fotográfica local permitiria um olhar amplo e representativo sobre Belém.
“Dentro do tempo disponível para planejar a mostra, achei que deveria optar pelo segmento da fotografia, pela produção fotográfica do nosso estado e, especialmente, da nossa cidade”, afirmou.
Ainda de acordo com ele, o processo curatorial envolveu o convite a fotógrafos em atuação, que enviaram imagens a partir de uma proposta temática centrada no cotidiano e nas características culturais, históricas e urbanas da capital. A partir desse material, foram selecionadas as fotografias que compõem a exposição. “Eu tentei enfocar questões como a arquitetura histórica da cidade, o fazer urbano, as áreas mais antigas, como a Cidade Velha, além das feiras livres e das ações urbanas que são muito peculiares de Belém”, explicou o curador.
Emanuel Franco destacou que a exposição não segue uma organização cronológica, mas propõe uma leitura visual baseada na simbologia da cidade. Segundo ele, a intenção é que o público reconheça, nas imagens, elementos que fazem parte da identidade local. “
Quem visitar a exposição vai perceber essa simbologia da cidade, essas peculiaridades que formam Belém. A mostra foi montada para que as pessoas possam sentir esse clima da cidade em várias instâncias”, afirmou.
LEITURA SIMBÓLICA
Entre os fotógrafos participantes está o repórter fotográfico do jornal O Liberal, Wagner Santana. Com carreira iniciada em 1994 como freelancer, ele foi instrutor de fotografia por dez anos nas oficinas da Fundação Curro Velho e teve trabalhos publicados em veículos como Revista Veja, Agência Estado, Gazeta Mercantil e jornais de circulação estadual e nacional.
Wagner é vencedor do ‘Incentivo Fotográfico 2018 – Imagens Cotidianas do Sesc Ver-o-Peso’ e recebeu, em 2018, o prêmio ‘Profissionais do Ano’ do Sistema FIEPA de Jornalismo.
Para a exposição, Wagner apresenta duas fotografias que registram um mesmo ritual no mercado do Ver-o-Peso: a chegada do açaí e da manga vindos das ilhas próximas à capital. Segundo ele, as imagens traduzem uma Belém marcada por sensações que se transformam em memória afetiva. “Eu levo para essa exposição a Belém do cheiro, da cor e do gosto, que se transformam em memória afetiva”, disse o fotógrafo.
Wagner relata, de forma indireta, que a rotina de pautas no jornal contribui para a descoberta constante de personagens e lugares da cidade, o que acaba influenciando seus projetos autorais. Para ele, cada canto de Belém guarda uma história a ser contada. “Seja no detalhe dos azulejos, nas águas barrentas da baía ou no sorriso das erveiras do Ver-o-Peso, a motivação é eternizar esses instantes em fotografias”, afirmou.
Ainda segundo o fotógrafo, a cidade segue sendo um território de constante transformação, o que mantém vivo o interesse em continuar registrando Belém. “A cidade nunca se repete. A luz, as pessoas, os ritmos e até os cheiros mudam a cada hora. Mesmo nos mesmos lugares, há sempre uma nova história para ser contada”, acrescentou.
Participam da exposição os fotógrafos Alexandre Baena, Andréa Noronha, Bizi, Celso Lobo, Déia Lima, Fabíola Tuma, Fatinha Silva, Guy Veloso, Iza Girard, Janduari Simões, Marcelo Vieira, Maria Cristina Gemaque, Mariano Klautau Filho, Marise Maués, Nádia Borborema, Patrícia Brasil, Renato Neves, Rosana Uchôa, Rosário Lima e Valério Silveira.
Além da curadoria de Emanuel Franco, a exposição conta com texto da historiadora e antropóloga Dayseane Ferraz, que ressalta a potência simbólica da cidade retratada pelas lentes dos fotógrafos.
“Olhar Belém é entregar-se a uma imersão profunda em um caleidoscópio cultural, onde cada fragmento reflete múltiplas camadas de tempo, de memória e de pertença”, destacou. A exposição conta com patrocínio do Banco da Amazônia e realização do Governo Federal.
SERVIÇO:
Exposição ‘Uma Belém no Olhar de Alguém’
- Abertura: 9 de janeiro – 10h às 19h;
- Visitação até 8 de abril de 2026;
- Local: Centro Cultural Banco da Amazônia -Endereço: Av. Presidente Vargas, 800 – Campina – Belém (PA);
- Entrada gratuita;
- Funcionamento: Terça- a sexta, das 10h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h.
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