Crônica da Atualidade - Por CristIna Serra



Na minha busca por matérias interessantes, encontrei no perfil do Facebook da jornalista paraense Cristina Serra (foto), importante texto que referencia o conteúdo de seu livro "Cidade Rachada", conforme abaixo! (PV)





Uma das histórias mais pungentes que conheci na pesquisa para o livro "Cidade Rachada" foi a de Priscilla Barros, filha do promotor de justiça Wilson Barros, que deixou um tesouro inestimável na casa da família, no Pinheiro. Wilson tinha uma biblioteca de aproximadamente 30 mil livros, dos mais variados assuntos, com muita literatura, brasileira e universal, história do Brasil e do mundo, filosofia, ciência política etc. Wilson morreu de câncer logo após o tremor de terra de 2018, em Maceió, que revelou o desastre da mineração predatória de sal-gema feita pela Braskem. Priscilla lutou como uma leoa para que a Braskem destinasse um lugar para a biblioteca já que a casa que ela comprou com a "indenização" pelo desastre não comporta os livros. Ela queria proteger o patrimônio que seu pai construiu com tanto zelo e que tanto amou.






Infelizmente, não conseguiu. Sua história está contada no livro e demonstra um aspecto pouco conhecido quando se fala desse desastre-crime: um massacre cultural e de memória das 60 mil pessoas atingidas por essa tragédia invisível, que ocupou tão pouco espaço na mídia nacional. Qual o motivo dessa invisibilidade? Imagine se cinco bairros tivessem afundado, provocando rachaduras e buracos nas casas, no Rio de Janeiro ou em São Paulo? Deixo aqui algumas fotos que fiz quando entrevistei a valente Priscilla, e chamo atenção para um pequeno detalhe que revela a beleza da alma de seu pai. Ele amava pássaros e deixava que fizessem ninhos por entre os livros.  

















Nenhum comentário