Professora fomenta a leitura comunitária e democratiza o acesso aos livros em Belém
Marcela Castro, 'militante literária', que transforma a calçada de casa em biblioteca comunitária celebra o prazer de compartilhar leituras


Por diversas vezes a leitura pode ser um ato solitário, porém, compartilhar esse momento torna muitos leitores especiais. No Dia do Leitor, celebrado neste 07 de janeiro, a professora de Língua Portuguesa e suas literaturas, Marcela Castro, é uma dessas pessoas que compartilha vivências literárias.
Como ela mesma se define, uma apaixonada por livros e verdadeira militante literária, Marcela compartilhou uma postagem emocionante há algumas semanas. No seu perfil no Instagram, ela mostrou a "casinha de livros" que fica em frente à sua casa sendo usada por um entregador de aplicativo que procurava por um título. A publicação alcançou quase 800 curtidas.
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“Já houve tantas histórias [na casinha] que nem saberia quantificar. Profissionais de limpeza pública, pedreiros, passantes... foram vários. Duas histórias, porém, me marcaram. A primeira é de uma garotinha que estuda na escola pública aqui pertinho. Ela sempre passa por aqui, pula amarelinha, que eu pintei na calçada, e pega um livro. Invariavelmente, ela está acompanhada da avó. E foi a avó quem me contou sobre o hábito da menina de pegar livros na casinha. Elas são pessoas muito simples, com recursos limitados. Como entrariam em uma livraria de shopping center para comprar um livro? Achei lindo poder ser a conexão entre a literatura e elas duas. A outra é de funcionários da Cosanpa. Há três anos, aproximadamente, um grupo deles se reuniu em frente à casinha e ficou conversando sobre os livros. Levaram vários. Foi mágico ver aqueles trabalhadores terem acesso ao livro”, relembra.
Em meio a milhares de páginas e títulos, a casinha vive de doações. Quem quiser pode deixar uma obra lá, que certamente será lida por alguém. Entre as diversas opções, Marcela destaca ainda a importância de incluir autores paraenses entre as escolhas.
“Conhecimento gera pertencimento. Quanto mais eu conheço a história do lugar onde vivo, mais eu cuido desse espaço. Se houvesse maior contato entre os moradores da cidade e os livros de autores locais, essa relação de pertencer poderia ser expandida. É claro que isso não depende somente de distribuir os livros, mas de incentivar a leitura deles. Esse tipo de ação passa por escolas, centros comunitários, veículos jornalísticos, redes sociais... Inserir o livro como um valor para a sociedade, e não um gasto, é algo que faria a diferença. É possível fazer isso com ações conjuntas. Imagine se as grandes empresas de Belém abraçassem essa ideia! Para quem gosta de ler, sonhar é somente mais uma extensão da vida”, explica.
A leitura é capaz de desenvolver funções cognitivas e emocionais nos seres humanos, além de expandir o vocabulário, a criatividade e o raciocínio. Além disso, é capaz de reduzir o estresse e melhorar a saúde mental. Esse exercício para o cérebro promove o bem-estar; porém, para além disso, a leitura permite viver em um mundo fora da caixinha, e, quem sabe, bem mais próximo da “casinha” da Marcela.
“A casinha me ensinou que abraçar o mundo é possível, mesmo que por páginas de livros. É sonhar? Sim, mas eu acredito num mundo-livro que há de existir”, finaliza a professora.
Fonte: O Liberal
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