Crônica da Atualidade - Por Leila Cordeiro


A difícil arte de deixar ir

Há um momento silencioso na vida em que a alma sussurra: “É hora de soltar.” Soltar o que doeu, o que feriu, o que já não cabe mais. Mas entre o saber e o fazer, mora o grande desafio. Porque deixar ir não é apenas um gesto. É um processo de despedida de um sentimento, de uma história, de uma versão de nós mesmos que acreditou, que esperou, que sonhou.
Encerrar um ciclo é como fechar uma porta que ainda pulsa ao toque. É recusar-se a viver presa ao que poderia ter sido. Muitas vezes, o coração insiste em permanecer em lugares onde já não há espaço para florescer. Insiste em repetir cenas antigas, como se o passado, em algum momento, fosse mudar o final.
Mas a verdade é que enquanto insistimos em permanecer onde fomos feridos, negamos a nós mesmos a chance de sermos curados. Os sonhos ficam estagnados, congelados em expectativas que já não fazem sentido. E a verdadeira felicidade… essa é tímida. Ela não atravessa a porta da dúvida, nem caminha em territórios onde a incerteza é permanente morada.
Deixar ir é um ato de amor-próprio. É confiar que o que nos espera adiante só chega quando abrimos mão do que já cumpriu seu papel, por mais doloroso que tenha sido.
E não é fácil, porque há vínculos que, ainda têm gosto de saudade. Há lembranças que ainda nos abraçam com uma ternura cruel. Mas o tempo, quando aliado à coragem, tem o poder de cicatrizar até as feridas mais fundas.
Deixar ir é também fazer as pazes com a impermanência. É entender que nem tudo que nos tocou foi feito para durar mas tudo, absolutamente tudo, veio para nos ensinar. E quando o aprendizado se cumpre, é preciso liberar espaço para o que virá.
A vida pede passagem. E ela só se move pra frente.
Com leveza, com verdade… e com a liberdade de quem finalmente entendeu que amar a si mesma é o primeiro passo para ser feliz de verdade.


( 🦋 © Leila Cordeiro – Todos os direitos reservados)

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