Desafio da AVAL: A poesia caminhando com o social
O grupo de poetas da entidade, ao participar do evento nesta semana, sob o tema: "Alzheimer" diversificou a escrita e cada um usou a sua criatividade, formando uma galeria de belas dissertações. Participei e recebi reconhecimento, conforme post!
Academia Virtual de Arte Literária - AVAL
Paulo Vasconcellos: Acadêmico Efetivo, Imortal e Delegado Cultural
Patrono: Bruno de Menezes
Cadeira nº 26
Cidade: Capanema – Pará
Desafios 2026
Tema: Alzheimer
Título: Esqueci que sou eu
Data: 11/03/2026
Esqueci que sou eu
A convivência familiar me faz muito bem, entretanto, percebo que algumas coisas estão fugindo da minha memória, mas como a idade começou a pesar, considero que são as marcas do tempo que já estão se manifestando.
As gargalhadas de antes, foram sendo substituídas por silêncio e desânimo, uma vez que ao dar passos para a frente, penso que estou voltando de onde havia planejado ir, mas isso é apenas a confusão que se monta na minha fragilizada memória, pois às vezes esqueço até meu próprio nome.
O meu nome é Julião, moro em uma pequena comunidade, onde conheço todas as pessoas que moram lá e ao receber a visita de meu compadre Policarpo, o chamei de Manoel, fato que causou espanto naquele homem que faz parte do meu convívio.
Os meus reflexos estão cada vez mais confusos, sendo percebidos por minha família que me aconselhou a fazer um tratamento, para que seja diagnosticado o porquê de tanto esquecimento.
A bateria de exames foi-me solicitada e quando recebi o resultado, confundi o envelope como sendo uma sacola qualquer, mas na realidade, era os efeitos da doença cientificamente conhecida por Alzheimer, infelizmente.
O tratamento médico, recheado de recomendações, foi repassado aos meus familiares e os cuidados comigo passaram a ser frequentes, uma vez que a coisa se agravava e não havia outro caminho a não ser o definhar.
Apesar de tudo isso, mão me vitimizei, aproveitando o resto de memória que eu tinha para interagir com as pessoas, mesmo de forma confusa por misturar canto com espanto, no entanto, compreendido por todas.
As consequências da doença foram me tirando do tempo e daí em diante, passei a conviver com a vida quase vegetativa ou algo semelhante, porque tudo tendia a querer se apagar da minha memória, não me restando mais qualquer perspectiva e a solução derradeira foi vencer a última fase da vida e esperar o momento de deixar o plano terreno.
Em tempo: a narrativa contida neste texto é obra de ficção e qualquer semelhança, significa mera coincidência. A realidade mostra que as pessoas quando acometidas dessa doença, conseguem apenas viver por um determinado tempo, até que os desígnios de Deus sejam cumpridos.
**Direitos reservados ao autor – Copyright ©!
Autor: Paulo Vasconcellos escritor e poeta, paraense de Capanema, integrante do grupo PCDV


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