Alcides Gentil lança "O amor nas asas da poesia"




A voz mansa de Alcides Gentil Sobrinho entrega a tranquilidade de quem tem pouca ou nenhuma pressa. O homem de 90 anos escreve desde os 14, ainda um adolescente, quando começou a dar os primeiros passos na escrita que destrincha principalmente o amor e o cortejo às mulheres. Nesta quinta-feira, 24, o autor lança o livro "O amor nas Asas da Poesia", às 18 horas, no restaurante Empório Amazônico. "Escolhi o nome porque a poesia tem a faculdade de transportar nos seus braços o amor através dos anos e entrando no céu dos séculos", explica.
A publicação traz um compilado de 80 crônicas do autor, publicadas ao longo de mais de cinco anos no jornal interno da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) do Pará. O escritor conta que a publicação foi incentivada pela filha Loana, que não queria que os escritos do pai se perdessem no tempo e que também assina a orelha da publicação.
Entre os textos, o livro traz ilustrações de Talita Porto. Antes disso, uma publicação da Associação dos Auditores Fiscais da Previdência Social no Estado do Pará (Anfisepa) também fez uma homenagem ao escritor com a publicação de um compilado de textos escritos por ele, contou Alcides. 
Natural de Alenquer e devoto de Santo Antônio, Alcides doará todo o valor arrecado com a venda da publicação para a Ação Social Beneficente Santo Antônio de Alenquer. "Nasci em Alenquer. Fui criado em um casarão em frente à igreja matriz que tinha um Santo Antônio na frente. Quando eu aprontava, minha mãe me levava pra janela e dizia: "Olha quem tá te olhando ali", e era o Santo Antônio. Fui adotado por ele ainda criança e hoje sou devoto. Quero dedicar às crianças da associação porque se eu estivesse lá, estaria na mesma situação que eles", conta. 
Com uma memória invejável, Alcides recita poemas sem rodeios, como se estivesse com um livro aberto dentro da própria mente. O amor pela poesia é uma herança do pai, que o fazia memorizar versos que ficaram cravados na sua mente até hoje. "Meu pai era um declamador de poemas. Na mocidade, ele contava que os cavalheiros que parassem com a dama na frente da orquestra tinham que declamar um verso pra ela, então ele conhecia muitos versos e eu ia ouvindo. Era comum naquele tempo, na década de 40, receber a visita com uma poesia. Então ele me fez decorar várias", lembra ele, que cita escritores como Olavo Bilac, Olegário Mariano, Casimiro de Abreu, J. G. de Araújo Jorge e os, também paraenses, Rodrigues Pinagé e Bruno de Menezes.
"Alvorada acordou todos os passarinhos, jogou poeira de sol pelos caminhos e veio do alto céu me libertar(...)", declamou ele, não sem antes perguntar calmamente se poderia fazê-lo. Dentre os poemas preferidos que escreveu, está o que dedicou à primeira neta, Carol, intitulado "A flor do céu", que também foi declamado por ele durante a entrevista: "Existia no céu uma bonita flor, exuberante em perfume e tão formosa que simboliza no Éden o amor ou a virtude(...)".
Sobrinho do também poeta e escritor Alcides Gentil, imortal da Academia Paraense de Letras, que ocupa a Cadeira número 22, Alcides herdou do tio o nome, mas também o talento para escrita, mesmo que a modéstia o faça não pontuar esta último aptidão. "É o tio que herdei o nome", concluiu ele, sem nenhuma vaidade aparente. 
Serviço
Lançamento do livro "O amor nas Asas da Poesia", de Alcides Gentil
Data: quinta-feira, 24, às 18h
Local: restaurante Empório Amazônico ( Trav. Alferes Costa, n 2695. Entre av. Duque de Caxias e Romulo Maiorana)


Fonte: O Liberal/Cultura (Texto e Foto)

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