A ideia do Natal de Jesus expressa na arte



Um improvável diálogo entre o francês Jean-Baptiste Poquelin, conhecido como Molière, e o inglês Charles Dickens, revelaria não apenas a distância temporal que os afasta, como a forma de ver e pensar o Natal. O teatrólogo do século XVII e o romancista do século XIX celebravam o nascimento de Jesus de maneiras bem diferentes. O autor de “O Avarento” gostava de dizer que “o Natal é um excelente tempo para pensarmos naqueles que amamos”. Já o escritor de “David Copperfield”, que muito escreveu sobre o tempo natalino, proclamava: “Eu irei honrar o Natal no meu coração, e tentar mantê-lo durante todo o ano”.
Entre a ideia de aproveitar a maior festa do mundo cristão para voltar o pensamento na direção das pessoas amadas, o que não deixa de ser uma expressão de amor, e propor-se a honrar o Natal em sua dimensão mais verdadeira, com o propósito de vivê-lo não apenas em dezembro, mas em todos os meses do ano, surge  não apenas um abismo dos dois séculos que separam, no tempo, duas grande expressões da literatura europeia, mas cria-se a possibilidade de uma ponte imaginária entre o amor e amor, concebidos como um plano multiforme.
Na Belém do século XXI, a chamada “casa do pão”, homônima da cidade natal do Redentor, Ele próprio o Pão da vida, artistas que se expressam esteticamente, usando diferentes tipos de linguagem, não necessariamente a palavra, como Molière e Dickens, aquele, no teatro, este no romance e no conto, concebem o Natal de um jeito diversificado. Os conceitos de união, amor e fraternidade ganham, nessa época, contornos luminosos, que se ampliam e caminham na direção da fé cristã.
Seja qual for a noção que os artistas tiverem (ou não) a respeito do Natal, uma, sobre todas, prevalecerá. O Natal, como disse o cronista Paulo Alberto Monteiro de Barros, o inesquecível Artur da Távola, “é Jesus. O resto é subliteratura”.

Fonte: O Liberal/Cultural (Texto e Foto)

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