Evento discute a oralidade brasileira com espaço para Amazônia

 A 10ª edição Boca do Céu nas Nuvens 2021, começa neste sábado, dia 27

Divulgação

As tradições da oralidade brasileira com a riqueza das histórias populares serão o foco da 10ª edição Boca do Céu nas Nuvens 2021, a partir de hoje até o próximo sábado, dia 27, artistas e estudiosos da palavra, de diversas regiões do país, em ações que conjugam narração de histórias e conteúdos teóricos ancorados nas culturas orais brasileiras. Em função da pandemia do novo Coronavírus, o evento, com todas as atividades gratuitas e acompanhadas por intérpretes de libras, vai acontecer de forma on-line. Podem participar o público em geral, crianças e adultos, além de atividades específicas voltadas a professores, educadores e mediadores culturais.

O evento abordará as principais influências nas tradições orais brasileiras. As atividades são gratuitas e on-line com oficinas, palestras, narração de histórias e um fórum que contará com artistas e educadores de diversas regiões do Brasil. Em debates estarão a Encantaria Amazônica, a Tradição Oral Nordestina, a Presença Africana na Cultura Oral de Minas Gerais, as Narrativas Encobertas do Sul do Brasil, como eixos que nortearão o debate apontando para uma futura conexão com a América Latina.

O Boca do Céu tem como meta levantar perguntas sobre as ancestralidades das narrativas brasileiras, como preparação para o encontro presencial, programado para final de novembro deste ano, focado nas tradições orais relacionadas às tradições da América Hispânica. O evento tem curadoria da professora e estudiosa das histórias das tradições orais Regina Machado.

"O projeto vai abordar essas questões, situando-as em determinados espaços culturais do país, para levantar os véus desse nosso Brasil profundo. Trabalhamos com a ideia de Movimentos que se cruzam dentro da programação. Cada Movimento corresponde a uma atividade, que se relaciona às outras. A ideia é que as pessoas acompanhem um ou mais movimentos e possam traçar conexões entre eles”, explica.

Os Movimentos serão abordados de forma teórica e poética, localizando as regiões do Brasil delineados com as seguintes temáticas: A Encantaria Amazônica e Nosso Universo Ancestral Ameríndio; A Tradição Oral Nordestina e as Recriações de uma Herança Ibérica; Aspectos da Presença Africana na Cultura Oral de Minas Gerais e Narrativas Encobertas do Sul do Brasil.

A Encantaria Amazônica será abordada pela professora e doutora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Bel Fares, que estuda Poéticas Orais Amazônicas. Ela abordará vários assuntos como o espaço de proteção das naturezas pelos mitos, como os curupiras ou as mães d’águas, o contador, o tipo de narrativa, as denominações das narrativas de acordo com suas localidades e outros. “Eu vou tratar especialmente da oralidade marajoara, em que o ameríndio está muito presente. A gente sabe que o Marajó é todo marcado pela cultura ameríndia. Em relação a oralidade, eu te diria o seguinte, a cultura oral está presente em todo o Brasil. Essa oralidade é a oralidade mítica, não da nossa fala. Tudo aquilo que vem do mítico. Se a gente pensar que estamos em uma região que se origina pelo mito, a gente é Amazônia, por causa do mito das Amazonas, nós nascemos com a marca do mito”, destaca a professora.

A influência dos mitos orais pode ser percebida até hoje em diversos espaços sociais. “Se a gente atentar um pouco às formas de expressão da arte, a gente vai encontrar muita matéria que vem dessa matéria mítica da Amazônia. Se a gente atentar um pouco mais para as artes plásticas, para a músicas, para as cênicas, as artes de modo geral, para a comunicação, na propaganda, as heranças ameríndias aparecem”, destaca a professora Bel. “A Amazônia tem participado do evento, mas agora tem um pouco mais espaço neste palco, acho que é importante isso. Eu fiquei extremamente agradecida por ter sido reconhecida como uma pesquisadora dessa matéria”, declarou.

Além dela, também estão na programação Oswald Barroso, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Universidade Federal do Ceará, que falará sobre a presença ibérica nas oralidades cearenses; o cantor e compositor mineiro Sérgio Pererê e a cantora e pesquisadora Letícia Bertelli falam sobre a Afrobrasilidades nas Minas Gerais, e as Narrativas Encobertas do Sul do Brasil é tema de Gilka Girardello, Professora e Doutora da Universidade de Santa Catarina.

Boca do Céu nas Nuvens 2021 também terá pesquisadores folcloristas, como Ruth Guimarães (SP), Altimar Pimentel (PA) e Lindolfo Gomes (SP) e a presença de contadores de histórias tradicionais, como Luzia Teresa (PA) e Dona Militana (RN). Os frutos dessa investigação serão disponibilizados no site www.bocadoceu.com.br.

O evento Boca do Céu existe a 20 anos sendo um dos mais significativos eventos internacionais de contadores de histórias do Brasil. Durante as edições anteriores, apresentou aproximadamente 500 artistas, em sua grande maioria brasileiros; realizou mais de 600 atividades de escuta, produção e reflexão e foi assistido por quase 50 mil pessoas.

Agende-se

Boca do Céu Nas Nuvens 2021

De 22 a 27 de março de 2021

Classificação: Livre.

Ingressos: Grátis.

Acessível em libras: Sim

Site - www.bocadoceu.com.br

Redes sociais: Facebook do Boca do Céu:  @bocadoceu.encontro.internacional; canal Boca do Céu no Youtube; e Instagram @BocadoCéu




Edição: Alek Brandão
Fonte: O Liberal (texto e imagem).

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