Feira de Empreendedorismo, Arte e Cultura marca o Dia Internacional da Mulher

 A Femea vai estrear seu primeiro programa audiovisual a partir das 19h, com shows e entrevistas

Maíra Henriques/ Divulgação

Qual é o peso de ser mulher na sociedade em que vivemos? Cada uma, a partir de suas vivências, carrega essa mala histórica à sua maneira e reconhece o machismo estrutural que nos cerca. Essas histórias motivaram e definiram o perfil da Femea – Feira de Empreendedorismo, Musica e Artes da Amazônia, que é realizada a partir desta segunda-feira, 8, e segue até 14 de março.

O evento vai reunir mulheres de diversas áreas de atuação em workshops, oficinas, mesas de debate, feirinha de empreendedoras e dois programas WebTV com shows musicais e entrevistas, além de uma campanha fundamental em apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade social e violência doméstica.

A programação é gratuita e pode ser acessada pelos canais da feira e pelo site www.femea2021.com.br. A edição de estreia do projeto foi contemplada pela Lei Aldir Blanc/Secult – PA, numa realização em parceria da Senda Produções e Holofote Virtual.

A ideia de criar algo em especial para mulheres partiu de Narjara Oliveira, produtora com vinte anos de atuação no mercado cultural do Estado, tendo produzido shows de diversos artistas e eventos como Virada Cultural, Salão Xumucuís de Arte Digital e a Mostra de Cinema da Amazônia, entre outros.

“Diante das minhas próprias experiências, em que fui violentada de diversas formas, percebi que precisava fazer mais! A Femea tinha que trazer consigo mais do que empreendedorismo e entretenimento, tinha que ser uma teia de acolhimento e despertar através de ações reais para combater as violências pelas quais passamos todos os dias, pelo simples fato de sermos mulheres. Acho que estamos conseguindo”, comemora a produtora.

Na contramão de todas as dificuldades, impostas principalmente pela falta de espaço e de incentivo ao trabalho de mulheres, A Femea conseguiu compor um quadro de produção e técnica com mais de 50 trabalhadoras e colaboradoras. São muitas as feridas que se transformam em motivos para um evento com foco na capacitação profissional e nos debates atuais sobre o feminismo e suas perspectivas.

“A potência que observo na nossa escolha de não abrir mão de criar um evento feito unicamente por mulheres é mostrar que mesmo que o patriarcado queira nos deixar à margem, estamos aqui, e não desistiremos de lutar pelo nosso espaço, por respeito, por reconhecimento, por qualificação e por equidade”, considera Narjara.

A luta feminista agradece! Além dela, na coordenação geral, o projeto também tem as produtoras culturais, Lany Caveléro, na coordenação de produção, e Luciana Medeiros, na coordenação de comunicação.

FEMEA TV Web abre a programação

A Femea vai estrear seu primeiro programa audiovisual, neste 8 de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, lançando, a partir das 19h, a programação que segue durante a semana, com mesas de debate, oficina e workshops, encerrando com o segundo programa gravado.

Feito para a internet, a Femea TVweb tem direção de Fernanda Brito Gaia, realizadora e diretora de fotografia, e apresentação da cantora Joelma Kláudia. Toda a equipe por trás e na frente da câmera foi formada por mulheres.

Uma das entrevistadas do primeiro programa é Domingas Caldas, fundadora do Grupo de Mulheres Brasileiras – Belém. Cametaense, hoje com 68 anos, ela chega ao Bengui, onde se estabeleceu, fugindo do pai de seus três filhos, em meados da década de 80.

“Passei a vida lutando contra situações de violência. Primeiro, de famílias que me exploraram na infância como empregada doméstica. Depois, do meu ex-marido, que se aproveitava da minha dependência financeira para me humilhar e agredir. Foi minha chegada ao bairro que me salvou. Aqui, pude correr atrás dos meus estudos e conheci o movimento social e entendi também a importância da organização civil. Assim começamos o GMB”, relembra a fundadora do grupo.

Nesta primeira edição o programa também conta com as apresentações das cantoras Mariza Black, Thalia Sarmanho e Carol Araújo, além de um bate papo com Clóris Figueredo (Na Fábrica) e Anna Maria Linhares (Profa. História da UFPA). O público poderá acompanhar tudo pelo Canal de Youtube da FEMEA, acessível. A partir do site www.femea2021.com.br.

No segundo dia, que vai ao ar pelo Youtube, no dia 14 de março, as atrações musicais contam com as cantoras Thalia Sarmanho, Karen Tavares e a própria Joelma Kláudia, que encerrará o programa. As entrevistas são com a artista trans Bela para Jesus, com a vereadora Lívia Duarte, que vai falar sobre políticas públicas para a mulher e com Júlia Freitas, do coletivo Mulheres na Técnica.

Um detalhe importante. Todas as cantoras que se apresentaram nos dois programas foram acompanhadas por uma banda base formada só por mulheres, a banda FEMEA. A direção musical das apresentações é da instrumentista cavaquinista Carla Cabral, que convidou ainda com Rayssa Tiger, no  Violão; Sabrina Ribeiro, na percussão;  e Luany Ferreira, na flauta.

Campanha de financiamento coletivo ao GMB

Outra frente importante da Femea é a união do projeto ao coletivo do Grupo de Mulheres Brasileiras – organização com sede no bairro do Benguí, com mais de 30 anos de trabalho em prol de mulheres em situação de vulnerabilidade.

A Femea deu início a uma campanha de financiamento que tem como objetivo reunir recursos para melhorias estruturais da sede do grupo. Há mais de dez anos o GMB, com a ajuda da comunidade e da paróquia local, conseguiu comprar a casa, localizada no Benguí.

Desde então, a organização se articula de maneira independente para manter os gastos com o espaço, que abriga reuniões e atividades, como as rodas de conversa, o Quintal Vivo , entre outras de uma larga agenda de ações. As prioridades são: a construção do poço artesiano, reforma do banheiro e casa e investimentos no Quintal Vivo. 

“Nossa atuação é 100% voluntária e militante, o que dificulta realizarmos ações de forma permanente, e olha, que fazemos muitas ações! Para termos ações de forma recorrente durante todo o ano, especialmente, junto à juventude, seria fundamental podermos contar com recursos financeiros, com apoio de parcerias. Esta campanha da FEMEA é uma oportunidade importantíssima para nos visibilizar e fortalecer nossas ações, a campanha possibilitará recursos para que possamos melhorar a nossa casa de acolhimento das mulheres”, conta Ruth Leão, integrante do grupo desde o início dos anos 90 e atual coordenadora financeira do GMB.




Edição: Alek Brandão
Fonte: O Liberal (texto e imagens).

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