Festival de Ópera apresenta 'Suor Angelica', drama de Giacomo Puccini



O XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz apresenta a segunda montagem operística da programação deste ano, com récitas nesta segunda-feira (21), na quarta-feira (23) e na sexta-feira (25), na Igreja de Santo Alexandre. A montagem traz a última composição completa de Giacomo Puccini: "Suor Angelica", que tem direção cênica de Jena Vieira e direção musical do maestro Miguel Campos Neto. A programação do festival segue até 22 de dezembro, incluindo mais uma ópera: "Amahl e os visitantes da noite", de Gian Carlo Minotti, que terá uma de suas récitas abertas ao público apresentada em um palco externo.
Ambientada em um convento na Itália, no final do século XVII, a produção narra a história de Angelica, condenada à reclusão em um convento por ter tido um filho fora do casamento.
Diretora cênica do espetáculo, Jena Vieira explica que a produção retrata muito do período em que o autor viveu, de 1858 e 1924, mas tem como característica a atemporalidade que resulta em uma "conversa", também, com a contemporaneidade.
"Ópera é uma obra de arte e toda obra de arte é atemporal, Suor Angélica pode ser encenada em qualquer período da história que será atual. Optei por fazer uma versão tradicional, me reportando ao período descrito por Puccini no libreto, que diz que a história se passa no final do século XVII. Então, o público pode esperar uma ambientação e figurinos adequados à época", explica.
Além da soprando Dione Colares, como Suor Angelica, o elenco é formado pela soprano Alfa de Oliveira, no papel de Tia Princesa; Denise Dacier no papel de Abadessa; Elizabeth Moura, no papel de Irmã Monitora; Gigi Furtado, que vive a Mestra das Noviças; Hosana Ramos, no papel de Irmã Genoveva; Dulcianne Ribeiro, como Irmã Osmina; Ione Carvalho, como Irmã Dulcina; Liliana Virgínia como Irmã Enfermeira; Lanna Bastos e Kézia Andrade no papel das Irmãs de Caridade; Juliana Kreling e Érica Carolinne como as Noviças; e Adriane Leite e Rebeca Leitão vivem as Irmãs Leigas. A direção geral é de Daniel Araújo e a direção de produção é de Nadressa Nuñez.
CONTINUA NA PÁGINA 2
ÓPERA
Espetáculo une cantores veteranos e novos talentos no palco
FORMAÇÃO - Elenco conta com a participação de alunos do I Curso de Formação em Ópera do Theatro da Paz
ANA CAROLINA MATOS
Da Redação
Na ópera "Suor Angélica", que estreia amanhã no Theatro da Paz, a jovem Angelica, mesmo condenada à reclusão num convento, conquista a todos com sua doçura e bondade e torna-se uma especialista em plantas medicinais, mas, não consegue esquecer o filho que foi obrigada a abandonar. A paz do convento é abalada com a chegada de sua tia, uma princesa, que leva a notícia da morte do menino. Desesperada com a informação, Angélica se envenena e morre.
Suor Angelica é uma ópera de apenas um ato do compositor italiano Giacomo Puccini e pertence a uma trilogia - de espetáculos curtos - escrita em 1918, reunidas sob o nome de Il Trittico: Il Tabarro (O Capote), Suor Angelica e Gianni Schichi. Com ideia de dar a cada uma delas um caráter musical diferente, Puccini fez de Gianni Schichi a única ópera cômica; já Suor Angelica um melodrama com libreto de Giovacchino Forzano - a última ópera efetivamente terminada pelo compositor - e Turandot, um drama que deixou inacabado, foi concluída por Franco Alfano.
Giacomo Puccini foi um dos mais importantes compositores de ópera de todos os tempos com marcantes obras entre as mais encenadas no mundo: La Boheme, Madama Buterfly, Manon Lescaut,Tosca e Turandot.
No papel da personagem principal, Dione Colares fala sobre a exigência técnica para dar vida à Angélica. "É um momento muito gratificante porque é uma peça, tecnicamente falando, para um soprano maduro nessa área. Então acho que é um momento bom pra eu estar executando esse papel com o aparato técnico necessário", pontua.
Além disso, a soprano fala ainda sobre a especificidade de atuação. "É um momento diferente para mim, em particular, porque nunca cantei em um papel que o personagem comete suicídio. Dramaticamente é um trabalho diferente na minha carreira com esse momento trágico. É um drama que culmina numa tragédia, algo muito forte, então teve um trabalho diferenciado, uma preparação diferente por causa dessa cena dramática", ressalta.
O encontro de gerações também é ressaltado, de forma positiva por Dione, que também dá aulas de canto lírico. "Fico feliz de cantar ao lado de ex-alunas, algumas que solam também... Então isso me gratifica ainda mais porque não posso dissociar esse lado cantora de formadora. É algo que carrego dentro de mim", conclui.
O espetáculo terá ainda a participação dos aprovados no "I Curso de Formação em Ópera do Theatro daPaz", que selecionou 20 cantores líricos profissionais para receber capacitação musical e cênica para que, ao final de quatro anos, o grupo esteja apto a integrar um corpo fixo de cantores líricos do Theatro da Paz.
Neste ano, a programação apostou em um modelo mais amplo e contínuo, distribuído ao longo dos meses de agosto a dezembro, com a Temporada de Ópera, Formação, Temporada de Concertos, Teatro Musical e Itinerância. Em 2020, o Festival de Ópera será realizado durante o ano todo, ampliando o campo de trabalho para todos os artistas e técnicos envolvidos nas produções.
Agende-se
Festival de Ópera do Theatro da Paz apresenta "Suor Angélica”, de Giacomo Puccini
Dias 21, 23 e 25 de outubro, às 20h
Local: Igreja Santo Alexandre (Praça Frei Brandão, s/n)
Venda de ingressos: bilheteria do Theatro da Paz ou pelo www.ticketfacil.com.br
Informações: (91) 4009-8758

Fonte: O Liberal/Cultura (Texto e Foto)

Nenhum comentário