Cinema paraense é destaque no Amazônia Doc com cinco filmes nas mostras principais



Realizadores paraenses avaliam os impactos do Festival para a cena local


O 6º Festival Amazônia Doc está agitando as redes e impactando a AmazôniaFlix, a nova plataforma de streaming que nasce na região. Com programação que se estende até dia 23 de setembro, este ano o evento teve que se reinventar e lançou uma edição online histórica, com exibições, debates, masterclass e oficinas.
Com um recorte amplo, em que cabem produções que permeiam toda a Amazônia Legal e a Pan Amazônia, a iniciativa cumpre papel fundamental na cena local e internacional de cinema. É como avaliam os próprios realizadores do Pará, nesta edição, representados por cinco filmes nas mostras “Amazônia  Doc” e “As Amazonas do Cinema”, além dos curtas integrantes da mostra “Primeiro Olhar”, exclusivamente composto por produções de alunos da rede pública estadual. 
E o cinema paraense tem espaço cativo no evento, sendo um dos objetivos centrais do festival: dar visibilidade e ajudar na capacitação do mercado local. Para acessar aos filmes, acesse a plataforma AmazôniaFlix e inscrever-se.
A cineasta paraense Adriana de Faria já acompanhava o Amazônia Doc como espectadora e este ano estreia como realizadora de um dos filmes selecionados para a mostra principal do Festival. O curta metragem “Ary y Yo” foi produzido durante o curso de documentário feito por ela, na Escola Nacional de Cinema e TV de Cuba, em que registra o encontro poético entre ela e Ary, criança cubana que a ajuda a aprender o espanhol. “Ary y Yo” poderá ser assistido nesta sexta-feira, 18, e sábado, 19 de setembro.
 “Acredito que toda cidade deveria ter seu festival. Quando agregam as produções locais, o público tem a chance de se reconhecer no cinema. Estamos passando por um momento de crise, mas há esperança. Enquanto o governo federal faz o desmonte da Ancine (Agencia Nacional do Cinema), aqui no Pará conseguimos aprovar a Lei do Audiovisual. É uma conquista extremamente importante para os produtores locais”, discorre Adriana.
Trata-se da Lei Milton Mendonça, a ser sancionada pelo governador. O nome é uma homenagem a um dos maiores documentaristas da história do Pará, realizador de cinejornais sobre Belém, nas décadas de 60 e 70, e que também batiza uma das salas de exibição da mostra competitiva do Amazônia Doc.
Com o filme “Duas Company Towns”, que participa da mostra competitiva de longas do 1º Festival “As Amazonas do Cinema”, a cineasta paraense Priscilla Brasil nos lembra a urgência de um olhar real à Amazônia.
“Precisamos jogar fora o modelo de desenvolvimento que o Brasil traçou para nós. Não existe desenvolvimento da Amazônia nessas bases. Esses projetos são apenas enclaves destruidores. É preciso ser radical, olhar seriamente pra todas as feridas e mudar. A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas pode apresentar ao mundo uma nova forma de viver”. O filme de Priscilla será exibido nesta quinta-feira, 17.
Chico Carneiro, cineasta natural de Castanhal, município do nordeste paraense, que possui uma longa história de exibição de cinema, concorre ao Troféu Amazônia Doc na mostra principal com o longa “Jaburu”, já exibido nos dias 13 e 14.
Para ele, iniciativas como o Amazônia Doc são fundamentais para o escoamento da produção local. “O cinema que fazemos na Amazônia precisa ser partilhado e visto entre os pan-amazônidas e pelo resto do mundo. O festival Amazônia Doc é iniciativa importante e, mais do que isso, a nova plataforma AmazoniaFlix tem a oportunidade ímpar de aglutinar as nossas produções, visibilizá-las, facilitando o acesso a conteúdos que de outra forma seria muito difícil e oneroso de encontra-los”, diz.
Participam também das mostras competitivas do Festival, as paraenses Jorane Castro, com o filme “Mestre Cupijó e Seu Ritmo”, já exibido na plataforma, esta semana, e as cineastas Renata Taylor, Beatriz Morbach e Débora Mcdowell, idealizadoras do “Transamazônia”.
Desde sua primeira edição, em 2009, o Amazônia Doc vem se consolidando como espaço de fomento da produção local. Nestes dez anos, foram mais de 20 ações de formação e capacitação, que impactou mais de 5 mil jovens e adultos. Entre exibições e atividades, mais de 50 mil pessoas passaram pelo evento. Este ano, o Festival extrapola fronteiras com uma edição online, o que tem permitido ampliar ainda mais a participação do público. 
As exibições iniciaram no dia 13 de setembro e muitos filmes já não estão mais disponíveis. Veja o que ainda estará disponível até 20 de setembro e se programe. Basta clicar no filme desejado e agendar que a própria plataforma te manda por e-mail um aviso quando o filme estiver disponibilizado.
PROGRAMAÇÃO DE FILMES | NA PLATAFORMA AMAZÔNIAFLIX
MOSTRA COMPETITIVA AMAZÔNIA DOC
Sala Rui Santa Helena – competição curta metragem
Filhas de lavadeiras, dia 17
Fantasia de Índio, dia 17
Preciso dizer que te amo, dia 17
Bicha-Bomba, dias 17 e 18
A morte branca do feiticeiro negro, dias 17 e 18
Hmong de Javouhey, dias 18 e 19
Ary y yo, dias 18 e 19
Quentura, dias 19 e 20
Jacanã, dias 19 e 20
A Praga do Cinema Brasileiro, dias 18 e 19
Sala Milton Mendonça – competição longa metragem
A nossa bandeira jamais será vermelha, dia 17
Transamazônica, dia 17
Xadalu e o Jagueretê, dia 17 (das 18h às 24h)
Homo botanicus, dias 17 e 18
Amazônia Sociedade Anônima, dias 18 e 19
Eu, um outro: Uma experiência na Justiça de Trabalho, dias 18 e 19.
MOSTRA COMPETITIVA AS AMAZONAS DO CINEMA
Sala Ana Lúcia Lobato – competição curta metragem
Matança Popular Brasileira – MBP, dia 17
Opará – Morada dos nossos ancestrais, dias 17 e 18
Adelante- A luta das venezuelanas refugiadas no Brasil, dias 18 e 19
Nova Iorque, mais uma cidade, dias 18 e 19
Sabrina, dias 19 e 20
Recomendado, dias 19 e 20
Sala Nilza Maria – competição longa metragem
Duas Company Towns, dia 17
Currais, dias 17 e 18
Saudade Mundão, dias 18 e 19.
Portuñol, dias  19 e 20
Agende-se
6º Amazônia Doc – Festival Pan Amazônico de Cinema
Até 23 de setembro pela plataforma AmazôniaFlix.
Acompanhe também a programação de web encontros, trailers, oficina e masterclass pelo Youtube:  . Mais informações pelo site: www.amazoniadoc.com.br
Fonte: O Liberal/Cinema (Texto e Foto)

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