Colunas & Colunistas - A Opinião de Carlos Ferreira

Edição: Paulo Henrique

Barbas de molho
São 5 os representantes do futebol Paraense no Brasileirão, nas Séries C e D, motivo de sobra para a cautela das torcidas e até dos jogadores. A imprensa faz o seu papel de incentivar as equipes e elas precisam responder em campo. Por isso, Carlos Ferreira Apresenta mais uma série de comentários sobre o Futebol do Pará, que precisa decolar para sua própria sobrevivência. (PV)

Leão mandou, mas não resolveu
Como todos apostavam, o Remo mandou no jogo em Santana/AP, contra o Cristal. Mandou, mas não foi capaz de sair do zero. O placar de 0 x 0 refletiu um jogo quase sem trabalho para os dois goleiros. O Leão teve muito mais posse de bola e produção ofensiva, mas sem qualquer objetividade.
Como justificativa para a lentidão, os azulinos acusaram as condições desfavoráveis do gramado, alem de o Cristal ter jogado retrancado. O fato é que os torcedores remistas do Amapá saíram do estádio frustrados com o que viram. Bem menos do que esperavam do Leão. O time ainda não engrenou. Ainda não passa confiança. O empate não deixou de ser lucro, mesmo sendo o mínimo aceitável. O futebol não é ciência exata, mas o Remo tem obrigação moral de traduzir nos resultados a sua grandeza de investimento, de cartaz dos seus profissionais, de tradição e todo o trabalho feito na preparação. E não é o que está acontecendo.
Nas duas próximas rodadas o Leão vai decidir a liderança do grupo enfrentando o América em Rio Preto da Eva/AM e em Belém. Dois jogos para o time de Giba decolar ou se enrolar. Ao mesmo tempo, o Cametá vai para o “tudo ou nada” com o Cristal, em duplo duelo para fugir da “lanterna” e manter as possibilidades de entrar na segunda fase do campeonato.

Acesso à Série B no fim de semana do Círio
Se conquistar o primeiro lugar do grupo atual, o Paysandu terá estádio cheio, em Belém, decidindo o acesso à Série B na sexta-feira ou sábado do fim de semana do Círio. Se for o caso do Águia, decisão em Belém sem a mesma perspectiva de casa cheia. Se for o caso do São Raimundo, estádio lotado em Santarém no domingo.
A relação do futebol paraense com o Círio tem uma mística. Há muitos anos - nem se sabe quantos - nossos times não ganham fora do Pará nem perdem em Belém no fim de semana do Círio de Nazaré. Para quem dá importância a esse tipo de tabu a classificação em segundo lugar, na fase atual, não seria tão interessante, por implicar em jogo como visitante no dia da festa nazarena.
Os classificados do grupo dos paraenses vão decidir acesso com os classificados do grupo nordestino que tem o ABC do ex-técnico bicolor Leandro Campos, o CRB do veterano atacante paraense Júnior Amorim (completa 38 anos em outubro), o Salgueiro/PE da dupla ex-azulina de atacantes Beá e Júnior Ferrim, o Campinense/PB do ex-volante do Papão e agora técnico Suélio Lacerda, e o Alecrim/RN do conhecido técnico Fernando Teixeira, tantas vezes adversário de Paysandu e Remo por clubes nordestinos.

Papão paga “bicho” a cada jogo
Disposto a tudo pelo retorno à Série B, o Paysandu resolveu pagar “bicho” a cada vitória. Foi o que aconteceu logo após a goleada de 6 x 2 sobre o Rio Branco. Independente disso, o Papão já tem um dos maiores orçamentos da Série C. Uma folha salarial de R$ 415 mil, que ainda vai aumentar em novas contratações.
O pagamento de prêmio por jogo é uma prática abolida nos grandes clubes, que só admitem pagamento extra por objetivo alcançado. No caso do Papão seria o acesso à Série B. Mas o clube resolveu resgatar a antiga forma de estimular os atletas e já conseguiu empolgá-los. Quem convive com o elenco observa a união, a ambição e o comprometimento geral de jogadores e comissão técnica. O ambiente dentro do campo não poderia estar mais favorável. Tudo bem diferente dos bastidores, onde cada cartola fala uma língua diferente. A surpreendente chegada do jogador Jean Sá, que acabara de ser descartado, é fruto da torre de babel.

Primeira vez do Ganso
Preterido por Dunga na Copa, Ganso tem hoje a garantia da convocação para a Seleção Brasileira principal. É outra primeira vez que ninguém esquece. Seguramente, Paulo Henrique Ganso será a presença paraense na Copa de 2014, consolo para um povo que respira futebol, mas não vai sentir o cheiro da competição mundial, cuja sede amazônica foi perdida de forma inaceitável para Manaus.
Viva o talento de Ganso! O craque paraense está fadado a ser a maior estrela brasileira em 2014. O nosso redentor.

BAIXINHAS
* Mano Menezes, novo técnico da Seleção Brasileira, trabalhou uma única vez em Belém. Foi na Série B de 2004, dirigindo o Caxias/RS num empate com o Remo em 0 x 0, no Baenão. Depois chegou a abrir negociação com o Leão Azul, que naquele jogo dispensou Artur Bernardes. Mas os remistas optaram por Givanildo Oliveira.
* Sóbrio, líder por excelência, habilidoso nas atitudes e nas declarações, competente, Mano Menezes tem todos os atributos para dar certo como técnico da Seleção Brasileira. Além de tudo, é um bom comunicador. Nesse aspecto, muito mais preparado que os rabugentos Dunga e Muricy Ramalho. E isso é importante no futebol mercantilista da atualidade.
* Charles, mineiro de 22 anos, autor de quatro gols na Série D pelo América/AM (dois contra o Cristal e dois contra o Cametá) já fez gol no Remo ao estrear no Abaeté, em 2006. No campeonato amazonense foi artilheiro com 10 gols, pelo Peñarol. É jogador para ser bem observado.
* Soares saiu magoado do Águia e extravasou ao marcar o gol de empate do São Raimundo em Marabá. Aos 33 anos, Soares ainda tem vigor e talento suficientes para ser muito útil ao time santareno na Série C.
* O Águia saiu do estado de graça que conquistou no empate com o Fortaleza para um ambiente de preocupação e ansiedade na semana do confronto com o Paysandu. Se perder em Belém, o time aguiano poderá entrar em crise. Se vencer, porém, ficará em situação privilegiada. O jogo virou “decisão moral” para o Águia.
* Na terceira passagem pelo Paysandu, Alexandre Favaro só perdeu uma única vez jogando na Curuzu. Foi para o Águia (1x0) no quadrangular final do campeonato estadual de 2003. O Papão vai defender domingo uma invencibilidade de 35 jogos (27 vitórias e 8 empates). A última derrota foi para o Ananindeua (3x1) em maio de 2008.
* Mais de um mês negociando e perdendo tempo. Só agora Canindé começa a trabalhar no Baenão. É um meia muito talentoso. Tem tudo para dar certo. Como é magrão e tem 29 anos, já deverá estar em boa forma física para o jogo de volta contra o América/AM, dia 8 de agosto.
* Lima muito esforçado e nada eficaz na lateral direita do Remo. Está no nível de Levi e Neto. Ou seja, com três opções o Leão ainda não tem um lateral direito que resolva. O último que dignificou a camisa dois azulina foi Marquinhos Belém, em 2005, sem ser brilhante.


Fonte: O Liberal, Coluna do Jornalista Carlos Ferreira

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